O efeito carona nas portarias dos condomínios e seus efeitos no condomínio e na sua gestão
O dia a dia dos síndicos, zeladores e controladores de acesso é repleto de atividades, mas uma delas tem demandado maior atenção nos últimos anos. Isso porque os condomínios, por todo o Brasil, sofrem constantes ataques de quadrilhas especializadas em invasão de condomínios.
Tais ocorrências movimentam o mercado com empresas que oferecem tecnologias diversas e cursos de especialização em segurança condominial para os profissionais que atuam nos condomínios.
Diante desse quadro, muitos moradores questionam como as invasões costumam ocorrer, portanto, eu usarei um pouco da minha experiência para explicar de forma bem resumida e de fácil entendimento no decorrer dessa matéria.

As quadrilhas, geralmente, agem passando-se por moradores. Eles são jovens, a maioria de seus integrantes possui menos de 18 anos e, quando são pegos, nem passam a noite da cadeia, mas alguns deles são maiores de idade e, geralmente, comandam as ações.
É do conhecimento da polícia que os apartamentos alvo são escolhidos previamente em cadastros comprados ilegalmente como o cadastro de usuários das empresas de telefonia e Internet, pois, os apartamentos atingidos, geralmente estão vazios no momento da ação. Em alguns casos, nada comuns, os bandidos circulam pelos andares e verificam quais unidades estão vazias e, desta forma escolhem os alvos.
Geralmente, os bandidos agem em duplas ou trios, conforme o tamanho do condomínio escolhido, onde o terceiro membro circula atento à toda movimentação da portaria para ver se seus parceiros conseguem adentrar no alvo. Quando conseguem entrar com sucesso, circulam pelas áreas comuns por algum tempo e retornam para a portaria, momento em que acabam induzindo os controladores de acesso ao erro liberando o terceiro integrante que se passa por um visitante.
Em algumas ações, as quadrilhas exploram falhas das tecnologias de automação do controle de acesso como as senhas ‘padrão de fábrica’ de acesso que alguns integradores não modificam no ato da instalação do equipamento, senhas estas que podem garantir uma entrada indevida ao condomínio.
Outras ações contam com falhas do fator humano e, geralmente, os bandidos entram com o chamado efeito carona, onde conseguem entrar junto de moradores reais que, por mera gentileza, permitem a entrada, sem se dar conta do problema que essa atitude pode trazer. Muitas vezes, induzindo o controlador de acesso ao erro, pois estes podem acreditar que o bandido se trata de um morador ou que está acompanhando o morador, este de fato, que permitiu a entrada do bandido.
Por isso é preciso ficar claro na mente de todos os moradores que eles são uma peça indispensável da segurança dos condomínios e que, como tal, precisam estar atentos para alguns detalhes, que parecem tolos, mas não são. Ao se aproximar do portão do condomínio, percebendo uma pessoa próxima ao mesmo, que tente entrar junto, se não reconhecer esta pessoa como um morador(a), evitar segurar o portão para que a mesma entre. Este não é o momento de ser cordial! A atitude correta é fechar o portão, pedir a compreensão e informar a outra pessoa que, por uma questão de segurança, esta deve entrar com sua digital, chaveiro ou cartão RFID (TAG), reconhecimento facial ou qualquer outra tecnologia que o condomínio disponha no momento.
Sim, eu sei, isso, em um primeiro momento, parece extremamente desconfortável para o morador que prefere deixar essa atitude para um dos colaboradores do condomínio, mas garanto para você que não é mais desconfortável do que saber que um dos apartamentos do condomínio onde você mora foi invadido e furtado. A sensação de insegurança é absurda e perturbadora.
Portanto, o ideal é deixar o ego de lado e pensar no coletivo, conhecer as regras de segurança do condomínio onde você mora, aplicar as mesmas e confiar que a equipe da portaria cumprirá com sua função. O mais importante não é o que a outra pessoa pensará e sim a preservação da segurança de todos os moradores.
Uma solução bem eficaz que elimina definitivamente o efeito carona é a implantação de catracas do tipo torniquete, mesmo em condomínios residenciais, onde somente passa um morador por vez, podendo o acesso ser liberado por biometria ou reconhecimento facial. Confesso que, particularmente, não gosto muito da ideia de uma catraca em um condomínio residencial, mas, por questões de segurança, vejo como melhor opção, sendo totalmente aceitável a sua utilização.
Qual o destino de um síndico de um condomínio que é alvo dessas invasões? Isso dependerá da gestão da segurança que o síndico aplica! Se o síndico estiver cercado de recursos, treinar a equipe continuamente e estiver integrado com a sua equipe ele está de parabéns! Mas, se o síndico for omisso com relação à segurança do condomínio que está a frente, então sua gestão estará com os dias contatos. Portanto, fique atento a gestão da segurança porque ela é um dos pilares de uma sindicatura de sucesso. Não se abale com as falhas de segurança que podem surgir, use as mesmas como aprendizado para aprimorar suas ações e promover a segurança da massa condominial. Lembre-se que essa é uma questão de segurança pública e que nossa função é minimizar os riscos ao máximo e, na eventual ocorrência de invasão, auxiliar a polícia com o maior número de informações possíveis além de dar o suporte necessário para os moradores atingidos.
Para os síndicos, minha recomendação é investir pesado em sistemas de automação para o controle de acesso, regras claras de segurança e treinamento constante dos colaboradores da portaria. A integração com os colaboradores de acesso também é fundamental! Também recomendo participar de grupos de WhatsApp com os síndicos dos condomínios do seu bairro, onde ocorrem constantes trocas de informação sobre a segurança do bairro e possíveis ações.
No Estado de São Paulo, por exemplo, a Polícia Militar possui o programa Vizinhança Solidária que mantêm um grupo de moradores unidos pela segurança do bairro. Esta é uma ótima maneira de complementar a segurança dos condomínios diante de tantos casos de invasão. Procure o CONSEG (Conselho Comunitário de Segurança) do seu bairro e informe-se sobre o programa.
Na Cidade de São Paulo, existe também o programa City Câmeras, uma parceria com a sociedade civil no monitoramento integrado de diversos pontos da cidade, visando inibir a ação de criminosos e aumentar a segurança e o bem-estar da população por meio da instalação de milhares de câmeras. As empresas e condomínios podem instalar câmeras ligadas ao sistema que auxiliam as forças de segurança pública a manter a ordem. Se interessou e quer participar do programa? Procure maiores informações na Subprefeitura da sua região.
Cada um de nós é uma engrenagem desse sistema de segurança dos condomínios, portanto, uma peça é totalmente dependente da outra para que o sistema funcione adequadamente para o bem de toda a massa condominial. Valorize os profissionais que trabalham na portaria do seu condomínio, pois eles são essenciais para todo o esquema de segurança.
Como está a segurança do condomínio onde você mora? Conte aqui nos comentários, quem sabe possamos trocar ideias e descobrir melhorias que possam ser implantadas.
Pense nisso e fique seguro!











